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O PODER DA PRECE
Estava preparando minha palestra, mas os itens 12 e 15 do capitulo 27 do nosso Evangelho, são por si só explicativos e não me pareceu caber comentário que só os diminuiriam. E eles nos ensinam:

Se dividirmos os males da vida em duas partes, teremos: uma que o homem não pode evitar; outra, em que ele mesmo é o principal causador devido aos seus desleixos, excessos.

Constataremos que, onde o homem é o agente, supera, em muito, a outra. Fica, portanto, bem evidente que o homem é o responsável pela maior parte das suas aflições, às quais se pouparia caso agisse com sabedoria e prudência.

É certo também que essas misérias são o resultado das nossas infrações às leis de Deus, que, se fossem respeitadas rigorosamente, nos fariam felizes. Se não ultrapassássemos o limite do necessário na satisfação de nossas necessidades, não teríamos as doenças que são conseqüências dos excessos, e nem as alternativas que elas ocasionam.

Se colocássemos limite à nossa ambição, não temeríamos a ruína; se não quiséssemos subir mais alto do que podemos, não temeríamos cair; se fôssemos humildes, não sofreríamos as decepções do orgulho ferido; se praticássemos a lei da caridade, não seríamos nem maledicentes, nem invejosos, nem ciumentos e evitaríamos as desavenças e as discussões; se não fizéssemos mal a ninguém, não temeríamos as vinganças.

Admitamos que o homem nada possa fazer em relação àqueles de quem não pode evitar males, e que toda prece seja inútil para se livrar deles. Já não seria o bastante estar livre de todos os males que decorrem de sua própria conduta? É neste caso que a ação da prece facilmente se compreende, já que ela tem por efeito atrair a inspiração salutar dos bons Espíritos, pedir-lhes a força necessária para resistir aos maus pensamentos, cuja realização pode nos ser dolorosa.

Neste caso, não é o mal que eles afastam de nós, mas é a nós mesmos que eles afastam do mau pensamento que pode nos causar o mal; não impedem em nada os decretos de Deus, nem suspendem o curso das leis da Natureza; apenas evitam que infrinjamos essas leis, ao orientarem o nosso livre-arbítrio .

Agem assim, de maneira oculta, sem que se dêem a perceber, para não nos considerarmos submissos à sua vontade. O homem se encontra, então, na posição daquele que solicita bons conselhos e os coloca em prática, mas é sempre livre para segui-los ou não. Deus quer que assim seja, para que ele tenha a responsabilidade de seus atos e para deixar-lhe o mérito da escolha entre o bem e o mal. O homem sempre pode obter isso se orar com fervor, e é neste caso que se podem aplicar estas palavras: Pedi e obtereis.

A eficiência da prece, mesmo reduzida a esta proporção, não seria de um imenso resultado? Estava reservado ao Espiritismo provar a sua ação ao revelar as relações que existem entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Mas não é a isso somente que se limitam os efeitos da prece. A prece é recomendada por todos os Espíritos; renunciar à prece é negar a bondade de Deus, é recusar para si mesmo a sua assistência, e, para os outros, o bem que lhes pode fazer.

O poder da prece está no pensamento, não depende nem de palavras, nem do lugar, nem do momento, nem da forma como é feita. Pode-se orar em qualquer lugar e a qualquer hora, sozinho ou com mais pessoas. A influência do lugar ou do tempo de duração só se faz sentir nas condições que podem favorecer a meditação.

A prece em conjunto tem uma ação mais poderosa quando todos os que oram se associam de coração a um mesmo pensamento e têm um mesmo objetivo, porque, então, é como se muitos clamassem a uma só voz. Mas o que valerá estarem reunidos num grande número para orar se cada um atuar isoladamente e por sua própria conta? Cem pessoas reunidas podem orar como egoístas, enquanto duas ou três, unidas por um ideal comum, orarão como verdadeiros irmãos, filhos de Deus, e suas preces terão mais poder do que a daquelas cem pessoas.

Não percamos jamais a oportunidade de fazer uma prece. Orar só depende de nossa disposição. Façamos por nós e pelos outros, sobretudo por esses, porque assim nos tornaremos mais merecedores de sermos ouvidos.
Voltar - 7/19/2010 - EDGARD A. N. GONÇALVES

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